Domingo, 30 de Setembro de 2007

Problemas d(n)o nosso Desporto - I

Entre nós, é fácil verificar que os atletas, especialmente os profissionais, dadas as suas naturais deficiências culturais e materiais, imputáveis ao meio e ao nível de vida, não compreendem que a actividade desportiva pressupõe a existência de uma disciplina material e moral em muito aspectos da vida, e isto não só por razões técnicas, mas também por razões de higiene, mental e física.
Reside aqui um dos problemas do nosso desporto, visto que este é um factor de onde deriva o primitivismo técnico na maioria das modalidades e, sobretudo a inutilidade do desporto como método de educação.
É um estafado lugar comum dizer que o desportista não deve fumar, nem beber e que deve abster-se dos excessos alimentares.
As refeições pesadas, o abuso do alcool e do café, o tabagismo e as liberdades sexuais, são vistas e admitidas como naturais, visto que “somos jovens”, “temos muito sangue na guelra!”
Estas desculpas abundam no nosso desporto e, só demonstram ignorância nalguns casos, falta de consciência noutros, mas sobretudo uma ausência total de espírito de sacrifício.
Isto porque não conhecemos prática desportiva ou metodologia de treino que conte entre os seus acessórios com o livro de Pantagruel ou uma garrafeira!
Tal estado de coisas tem reflexos nas modalidades onde a preparação obriga a um trabalho constante ao longo do ano desportivo, como é o caso do futebol, para não falar no esqui ou no rugby, modalidades inexistentes em Penafiel quer por razões climatéricas ou outras que nos escapam..
No Desporto em Penafiel, no futebol em particular, tais questões parecem ser letra morta, salvo durante os famigerados estágios em que os atletas são teoricamente submetidos a um género de vida apropriado, mas contrário aos seus hábitos regulares.
Mas mesmo submetido a um equilibrado regime alimentar e planos de treino rigorosos, o atleta só chegou a meio caminho na via da sua preparação e o que mais importa está longe: - a disciplina no estádio e nos recintos desportivos!
Essa só um esforço paciente de épocas consecutivas a poderá dar!
Mas há entre nós, quem encare tais factos com um sorriso superior, de quem deixa essas preocupações para os medianos que sem essas medidas de higiene física e mental não conseguem progredir.
Qualquer pessoa que leia os jornais (também os locais) conhece o nosso nível nestas modalidades desportivas, dispensamo-nos portanto de comparações.
O que nos preocupa, não são os resultados conseguidos pelas nossas equipas e a falta de categoria técnica demonstrada, mas sobretudo o exemplo que os atletas (profissionais e não só) dão aos mais jovens, criando neles o gosto desvairado pela glória fácil e fugaz de uma fotografia a cores e a mexer, pela ilusão da riqueza ali ao lado a que só alguns deitarão a mão.
Com o espectáculo da sua própria indisciplina, roubam-lhes o gosto pelo trabalho nos treinos e o amor pelo sacrifício...

Confessamos que é triste ver nos nossos recintos desportivos bandos de rapazes correndo desordenadamente atrás de uma bola e, assistir ao aspecto bárbaro da maioria dos treinos, em que se procura conseguir resultados em vez de realizar obra séria.
sinto-me:
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Domingo, 23 de Setembro de 2007

A Higiene da Moral

Actualmente há técnicos no desporto em Penafiel que se movimentam num quadro de vários interesses e possivelmente todos têm, em maior ou menor grau, consciência que se vive e se faz viver um certo mal estar.
Todavia, continuam a exibir as máscaras que escondem os descontentamentos que não ousam assumir. Sentem que algo está mal mas continuam a esforçar-se para que tudo aparente uma dose de “normalidade”.
O que se impõe é o relativismo moral, isto é, o que conta é o interesse de cada um.
Esta atitude moral reflecte uma deficiente formação moral traduzida no individualismo, no tarefismo e no porreirismo, como norma.
Da boca deles nem uma só palavra nem uma sílaba de denúncia em relação às condições que bloqueiam o desenvolvimento do Desporto em Penafiel.
Submetidos a pressões várias, transformados em veículos de muitas ambições, o que se lhes exige é colaboração quanto baste e um ajuste à ordem estabelecida.
 Não admira que assim seja, pois que se cada um deles não aderisse a esta domesticação seria uma ameaça ao bom funcionamento das respectivas instituições que, em muitos casos, os sustentam financeiramente.
Acreditamos que o seu papel não é fácil!
Contudo, esta constatação não pode servir para branquear a enorme indiferença, conformidade e apatia a que todos vimos assistindo desde há alguns anos.
Em Penafiel, onde estão no desporto os movimentos de ideias, os diferentes pensamentos, os debates sobre os problemas reais do desporto que se faz no nosso concelho, a contestação e as revelações?
Os técnicos que estão no desporto não podem ficar indiferentes, alheios ou neutros à política desportiva da Câmara Municipal de Penafiel, muito menos dos clubes onde desenvolvem as suas práticas profissionais.
Não necessita a vida desportiva de Penafiel de quem a pense e repense, de quem a discuta com clareza, raciocíno aberto e atento?
O que lamentamos é verificar que se está a criar um estado mental caracterizado pela inércia e pela ausência de interesse. O que está em causa não é esta ou aquela atitude, mas precisamente a falta dela.
Visivelmente, o modelo de trabalho parece ser o do desinvestimento e do distanciamento em relação aos problemas do desporto de Penafiel, para muitos afinal, a primeira e principal profissão.
Mas como em outras actividades, há os que, apesar das condicionantes conseguem manter a independência e pautar o respectivo exercício por padrões éticos e morais irrepreensíveis.
Honra lhes seja feita!
Um pouco de higiene é pois fundamental, para que sejam mantidos os códigos de decência que valorizam e dignificam o trabalho no Desporto.
 
sinto-me:
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

Falar Claro sobre o Desporto em Penafiel -II

Apesar de um nível técnico inferior nas escassas modalidades desportivas praticadas no concelho de Penafiel, devemos ser das cidades no Vale do Sousa em que mais se comenta o “fenómeno desportivo”, seja nos jornais locais, seja nas tascas ou nos cafés mais ou menos característicos.
Aliás destes últimos estamos bem providos...
E a argumentação vai desde a contestação em que se questiona a própria prática desportiva, até aos que explicam a nossa penúria desportiva com teses económicas e psicológicas!
Somos um concelho onde todos sabem de desporto sem o praticar e sem o estudar!
Entretanto a modalidade que no concelho de Penafiel tem mais praticantes é a columbofilia!
Mas a análise está profundamente viciada pelo facto de, Desporto ser essencialmente futebol, o que nos leva a pensar que todas estas doutrinas são pouco consistentes e, sobretudo, são de utilidade muito discutível.
O problema do Desporto em Penafiel não é o de contabilizar as equipas de futebol amador que vamos ter este ano. Não é sequer o de coleccionar eventos em nome da imagem e da afirmação do concelho!
O verdadeiro problema do Desporto em Penafiel é o da inadequação entre o modelo de organização adoptado pela Câmara Municipal de Penafiel e as necessidades dos penafidelenses, particularmente os mais jovens.
A nossa preocupação são os constrangimentos à prática do desporto nas escolas do 1º Ciclo e as relações que poderiam ser estabelecidas com as associações e os clubes de desporto existentes no concelho.
O sobressalto cívico e a nossa indignação são as condições de trabalho em que aí se desenvolvem as actividades físicas, em alguns casos verdadeiramente insólitas.
A perplexidade que nos suscita o sistema de financiamento à actividade desportiva é, verificar o desfasamento entre os objectivos da realização das práticas que o clubes e associações deveriam assegurar e, a realidade concreta que nos é apresentada.
Na ausência de um modelo orientador da acção política, aquilo a que temos assistido é a uma distribuição de meios financeiros ao sabor de imediatismos sem estratatégia e sem sentido de responsabilidade face aos recursos disponíveis.
O que a realidade nos indica é que o desporto tem sido politicamente gerido por uma classe política permeável às exigências reinvindicativas de uns quantos.
No essencial, prefere a concubinagem, a promiscuidade, os interesses e os resultados eleitorais. Vai prestando vassalagem a alguns “interesses instalados” reduzindo com isso a sua autoridade e margem de manobra.
sinto-me:
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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007

Falar Claro sobre o Desporto em Penafiel -I

 A Câmara Municipal de Penafiel está a deixar escapar uma excelente oportunidade para alterar a vida desportiva do concelho, porque permanece prisioneira de uma espécie de preguiça intelectual que tem caracterizado o entendimento que faz sobre os problemas do Desporto em Penafiel.
Toca-lhes superficialmente, mas não os aprofunda.
Os responsáveis na Câmara Municipal de Penafiel ficam sobretudo deslumbrados quando o que fazem merece o acordo de certas oligarquias instaladas.
 O que é pouco e para mais, perigoso!
Aquiilo a que temos assistido, e por certo iremos assistir à medida que nos vamos aproximando das eleições autárquicas, é a uma progressiva degradação das expectativas criadas e a um definhamento da qualidade das decisões políticas.
O que temos verificado é a improvisação prevalecer sobre a organização e fazerem-se coisas apenas para encher o olho, em vez de obedecer a perspectivas doutrinárias ou a uma hierarquia de prioridades.
É hoje evidente que a orientação política do desporto é mais pobre do que no início do 1º mandato deste executivo.
Generalizam-se sentimentos de descrença e desmotivação, ficando a percepção de que não apenas não se avançou como em algumas situações se recuou.
E os exemplos abundam, mas essas são contas de outro rosário...
Com o enfoque excessivo nos eventos, sem medidas adequadas que permitam aproveitar o seu efeito mobilizador, tem-se perdido a oportunidade de promover o desporto entre os penafidelenses, particularmente os mais jovens.
A Câmara Municipal de Penafiel em matéria de política desportiva, continua a viver entalada entre a elegia do associativismo e as formulações neo liberais.
Velhas estratégias junto dos jornais locais/regionais e nos boletins de imprensa oficiais, só podem surpreender os incautos.

Os bons sabores não são os que tendo odores mais fortes passam pouco tempo depois.

São os que são discretos, mas persistentes.

sinto-me:
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