Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Anestesia e absurdo no Desporto em Penafiel

Escrever ou falar sobre o Programa do Pelouro do Desporto da Câmara Municipal de Penafiel para o desporto é falar de uma ou duas folhas, elaboradas em cima do joelho que objectivamente não dizem nada.
Não diz o Pelouro do Desporto nem o disseram os Partidos representados na Assembleia Municipal aquando da discussão do programa ou da atribuição dos subsídios aos clubes e associações desportivas do nosso concelho.
O Desporto não foi ou não é considerado matéria suficientemente interessante para merecer qualquer debate.
A responsabilidade pertence-lhes!
Mas o associativismo desportivo não está igualmente isento dessas responsabilidades.
Os dedos de uma mão chegam para enumerar as situações em que responsáveis desportivos adoptaram uma posição crítica face à política desportiva no nosso concelho, apontando debilidades, criticando decisões, ou apresentando alternativas.
Com um comportamento conservador, avesso a grandes alterações, vive na dependência do subsídio oficial e compartilha com cumplicidade a arte de sedução em que se transformou o método da distribuição dos subsídios e os famigerados contratos programa de desenvolvimento desportivo.
A generalidade dos clubes aceita pacífica e serenamente esta forma de desvalorização da política desportiva, que vai a par com a desvalorização de quaisquer referências estruturais e que favorece apenas um pensamento e uma acção políticas fechadas, formais e conservadoras no concelho que é de nós todos - Penafiel.
A complexidade da gestão do sistema desportivo no nosso concelho, tem sido sistematicamente ignorada valorizando-se a carolice e o voluntarismo em detrimento do conhecimento, com os resultados que se conhecem e que estão à vista de todos.
Por isso, a situação que se nos vai revelando não é da exclusiva responsabilidade da Câmara Municipal de Penafiel.
Não é a Câmara Municipal de Penafiel que define a missão e a vocação dos clubes e associações desportivas.
Não é a Câmara Municipal de Penafiel que anuncia e dá entrevistas apresentando indicadores ditos de progresso desportivo.
São dirigentes e técnicos desportivos que o fazem e são os responsáveis por criar uma imagem que não corresponde à verdade e à realidade.
Este Pelouro do Desporto, este como qualquer outro no passado, limita-se a assistir à postura tradicional do movimento desportivo face aos poderes instalados.
A Câmara Municipal de Penafiel, é acusada e bem, por não ter uma adequada política desportiva, por o concelho estar infra dotado em estruturas e equipamentos desportivos ou por não contribuir ainda com mais meios financeiros.
Curiosamente esta crítica vem sobretudo daqueles que mais dinheiro têm ganho com a prática  desportiva, nomeadamente treinadores, técnicos, pseudo técnicos e alguns dirigentes desportivos.
Tudo isto sendo verdade não explica coisa alguma, pois o problema é bem outro.
É o de saber se será possível afectar recursos à prática desportiva num momento em que se vive uma crise desportiva de natureza estrutural, a que se junta a circunstância de os problemas desportivos não terem qualquer tradição de movimento cultural.
Reconhecemos que na Câmara Municipal de Penafiel se pense de modo diferente, que disponham de soluções cujo efeito de resto, já anunciaram.
Sabemos que faze-lo é politicamente sedutor, mas não acreditamos no respectivo sucesso.
Desde logo porque é difícil articular alterações estruturais com objectivos de curto prazo, pensados à escala de um mandato.
Um autêntico disparate, como o comprovam as medidas de política desportiva anunciadas.
A criação de bases materiais será insuficiente se não for acompanhada por uma mudança do sistema, da orgânica desportiva e dos recursos humanos necessários à sua execução.
A futura transformação é em si mesmo muito pouco, se se mantiverem as linhas de orientação dos últimos anos, ou seja, uma perpectiva desportiva deficientemente fundamentada, servida por uma liderança sem perspectivas, virada para uma visão do desporto onde tudo começa e tudo acaba nos clubes e associações desportivas, enfim, muito pobre.
A menos que se considere que isto são exigências que o Desporto em Penafiel não reclama, que afinal o Desporto pode ser governado como é, e que não requer uma outra responsabilidade uma outra competência, uma outra atitude.
Resta-nos não deixarmos de nos incomodar, não deixarmos de nos indignar e não deixarmos de lutar.

No dia em que suceder o contrário é porque deixamos de pensar.

sinto-me:
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Torturando os dados até que eles confessem - III

O associativismo desportivo, ao invés de se afastar das políticas de assistência centradas numa lógica de pagamento de favores, continua a reinvindicar cada vez mais.

Desde logo, mais verbas, mais equipamentos e mais condições.

Ao mesmo tempo quer menos controles e  menos cumprimento de obrigações!

Bastava que para tanto fossem consultados os famigerados contratos programa de apoio ao associativismo desportivo.

Seria um exercício curioso saber o que pensam os responsáveis políticos sobre esta situação. A opinião própria e não a dos seus diferentes assessores, conselheiros e afins. Estamos certos que o resultado seria esclarecedor.

A questão que se coloca é a de sabermos qual a moralidade que pode justificar pedir contas a um sistema a funcionar em regime de roda livre, ele próprio sem ideias e sem projectos, limitando-se a deixar passar os acontecimentos sem vontade de os alterar ou corrigir.

A complexa e grave situação a que chegou a vida desportiva no concelho de Penafiel mostra à saciedade a nova doença de que parece estar a sofrer: - a síndrome do “show-business” desportivo, reflectida na (prometida?) compra de espectáculos desportivos a alguns clubes e associações desportivas que por essa via, cada vez menos respondem às necessidades de prática desportiva dos potenciais interessados: - os penafidelenses!

E esse financiamento é feito no pressuposto de que advirão mais valias como resultante da cobertura noticiosa  desses espectáculos.

Reconhecemos que a tentação é grande e que os sistemas de sedução lhe não ficam atrás.

Gostaríamos no entanto de chamar a atenção de que se a Câmara Municipal de Penafiel pretende operar no mercado do espectáculo desportivo então que o faça na defesa do interesse e dos dinheiros públicos que representa, e não como mero agente financiador, sem qualquer retorno, de espectáculos cuja validade se não discute, mas que têm um mercado próprio no qual se devem desenvolver e sustentar.

Sabemos existir hoje em Penafiel “travestidas” de gente do desporto, pessoas que são verdadeiros agentes comerciais e como tal deveriam ser tratadas.

Em termos de balanço diremos que no Pelouro o Desporto da Câmara Municipal de Penafiel tudo parece estar montado para oferecer aos penafidelenses o escandaloso assassínio do Desporto em Penafiel.

Que os deuses se compadeçam e lhes perdoe!
sinto-me:
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Sábado, 3 de Fevereiro de 2007

Torturando os dados até que eles confessem - II

O que se está a passar no Desporto em Penafiel, na ausência de uma política desportiva é uma situação de contornos preocupantes onde o discurso oficial dos responsáveis políticos na Câmara Municipal de Penafiel, parece ganhar foros de aparente boa vontade e decidida aposta na magia e nos encantos do associativismo desportivo.
Particularizando o caso concreto dos clubes beneficiários dos famigerados contratos programa, importa desde logo ter uma ideia correcta acerca de quais as motivações que deram origem ao seu aparecimento.
Em termos genéricos existem clubes desportivos que se constituiram como resposta encontrada para ultrapassar carências no âmbito do desporto.
Outros, nasceram de uma espécie de iniciativa central que teve nos responsáveis de então um bom acolhimento.
Mas decorridos que estão os anos correspondentes a uma década, em alguns casos mais, o que se pode verificar é a autêntica colonização realizada a partir de interesses públicos mas com vícios privados, protagonizada por uma pequena franja de dirigentes e de técnicos desportivos.
Pequena, mas naturalmente influente já que goza de privilégios que a generalidade dos restantes dirigentes e técnicos desportivos não possui.
Situação que explica, de resto, a avidez com que os lugares são procurados já que são propiciadores de uma projecção e notoriedade que, de outro modo não teriam.
Na ausência de medidas estruturais efectivas, a afectação de recursos não pode ser feita sem critérios de qualidade, sem rigor e sem competência pois, para além de socialmente injusta é financeiramente impraticável. Políticas deste tipo contribuem apenas para o delapidar do erário público.
O que está em causa, é a situação actual em que a Câmara Municipal de Penafiel parece estar mergulhada, quando se está a encher de agentes e técnicos da confiança política trabalhando em regime parcial, espécie de comissários sempre ansiosos em apresentar serviço, mas que mais não fazem do que acções desprovidas de ideias ou enquadradas em qualquer projecto.
Os tempos actuais exigem novos equilíbrios entre as políticas e os investimentos dirigidos às práticas de rendimento absoluto e os dirigidos às práticas de rendimento relativo.
Entre um desporto de competição e um desporto para Todos.
Há isso sim um ritual que durante anos tem feito escola, em que os passos estão determinados e onde se fomenta a desmotivação, a apatia e a irresponsabilidade.

Trata-se de uma profunda distorção do sentido do que deve ser o associativismo desportivo. E perigosa!

Perigosidade tanto maior, quanto é certo que ela se nos apresenta aparentemente como verdadeira.

sinto-me:
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