Sábado, 30 de Dezembro de 2006

Foi você que pediu um ... Novo Desporto em Penafiel?

A generalização e a democratização das práticas desportivas é um factor fundamental de qualquer programa de desenvolvimento desportivo.
Por essa razão, a Câmara Municipal de Penafiel deveria dar uma atenção particular à Educação Física do 1º ciclo do Ensino Básico.
Se em anos passados assistimos a um certo voluntarismo, actualmente vive-se uma mercantilização das relações deixando para segundo plano os verdadeiros objectivos que presidem à ideia de uma Escola a Tempo Inteiro.
Quando ouvimos ou lemos as declarações dos responsáveis dizendo que a Câmara Municipal de Penafiel organiza actividades de Desporto na Escola ficamos com a convicção que estamos a entender coisas completamente distintas.
O insuficiente apoio às escolas do 1º CEB parece evidente, desde logo:

-         na oferta de projectos de ocupação dos tempos livres nos períodos de férias escolares,

-         no apoio material e pedagógico às actividades,

-         na dinamização e sensibilização aos professores.

Há nesta matéria uma reflexão profunda que os responsáves pelo Desporto, deverão estar dispostos a fazer.
É verdade que se promovem programas de aprendizagem da natação, mas em vez de se procurar que as crianças aprendam correctamente a nadar, privilegia-se que tomem banho.
Na verdade, fomos já testemunhas de crianças que "passavam" pela piscina uma hora, de 2 ou 3 em 3 semanas porque, para a Câmara Municipal de Penafiel, o que conta políticamente é fazer a cobertura maior possível de jovens das escolas.
Porventura, a referência a outros exemplos servirá apenas para acentuar a enorme distância entre a grandeza e a bondade dos princípios com a pobreza e a mediocridade das políticas e dos seus resultados
Por outro lado os programas não se devem limitar a acções pontuais, como tem acontecido, mas antes a uma verdadeira animação sócio cultural como método de intervenção no tecido social do concelho.
Um exemplo recente: a decisão (ou a falta dela) de não realização de qualquer actividade de natureza desportiva num momento em que os jovens estão de férias há 15 dias !
Pode dizer-se que essa é uma responsabilidade que os clubes deveriam cumprir pois para tal recebem apoios!
Mas se é verdade que o desenvolvimento desportivo não passa apenas pela intervenção da Câmara Municipal de Penafiel, não é menos verdade que sem a sua acção não existirá desenvolvimento desportivo possível.
Todos percebemos a lógica abstracta de preocupações essencialmente administrativas, incapazes de responderem a um posicionamento adequado face aos desafios do desenvolvimento desportivo.
O que não compreendemos é que se continue a aceitar um desporto praticado a qualquer preço, “medido a olho” e de que o melhor exemplo é o “desporto dos números e das massas”, em ocasião de discurso oficial.
Torna-se óbvio que o problema resulta de causas incongruentes e inconcebíveis de política desportiva:
- de uma estratégia a apontar para o clubes como seu suporte essencial;
- de financiamentos injustos e desajustados ao associativismo desportivo em geral e a alguns clubes em particular.
Esta concepção da função política face ao desporto, demonstra uma visão retrógrada e politiqueira de responsáveis que ainda não perceberam que o desporto mudou, que a consciência das pessoas se alterou e que o desenvolvimento desportivo passa também por parâmetros qualitativamente mensuráveis.
Em desporto fala-se demasiadas vezes do que não existe,
para não ter que se falar do que existe!

sinto-me:
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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006

O esquecimento como atitude (penafidelense)

Há tempos ouvimos alguém dizer - que os penafidelenses são gratos aos seus ídolos desportivos e citou o carinho que rodeia António Oliveira, Fernanda Ribeiro, Joaquim Santos ou  Silva Pereira.
Nada mais errado!  A memória das pessoas é curta. É também injusta e ingrata!
Qual seria a reacção do público se soubesse que a Câmara Municipal de Penafiel  tinha despendido dinheiros públicos para a aquisição do espólio de um dos desportistas mencionados, cujo nome já pouco diz à maioria das pessoas?
Assistiríamos por certo a comportamentos e reacções que mal podemos imaginar.
Manifestação de desdém sobranceiro com que se olham as práticas do desporto, a memória colectiva conserva na lembrança alguns nomes e factos durante uns anos, escassos, para depois tudo se esvair na ânsia pacóvia das medalhas, dos títulos, das ligas, dos campeões, etc ...
António Oliveira, ainda sabemos quem é, Fernanda Ribeiro começa a ser um nome e uma personagem mais do que um palmarés. Joaquim Santos uma vaga silhueta em que já poucos reconhecem o campeão de ralis, Silva Pereira um artista dos estádios que os mais velhos recordam em tardes melancólicas de jogos de futebol da equipa do lugar.
E se o esquecimento destinado aos vencidos é desumano, a atitude perante os vencedores é reveladora de uma lamentável indigência cultural.
As consequências deste tipo de atitude não são só ridículas mas também graves e reflectem-se negativamente na vivência desportiva dos penafidelenses, porque como não  conhecem e não  entendem o passado e por consequência as razões profundas de determinados comportamentos, hipotecam estupidamente o futuro.
Sacrificam-se vencedores e vencidos deixando desaparecer todos os testemunhos e vestígios que nos podiam ajudar a perceber o que fomos e o que somos para então podermos definir aquilo que queremos ser.
Em Penafiel a reflexão tem um nome:  - chama-se esquecimento!
A pior forma de esquecimento que é a ignorância assumida como atitude, manifestação de sentimentos que em muitos casos se assemelha ao despeito mesquinho e reles da mediocridade que por aí grassa.
A demonstrá-lo aí está o nosso desporto
 
sinto-me:
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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006

Incompatibilidades, Impedimentos, Ilegalidades

O tema da promiscuidade entre o exercício do poder político e o poder desenvolvido num clube desportivo, tem-nos suscitado várias questões ao longo do tempo.
A mais pertinente é a que se relaciona com o facto de o desempenho de cargos do poder político ser ou não, usado para obtenção de benefícios ou dividendos de natureza político-partidária.
É opinião corrente que a confusão resultante das relações entre as actividades políticas e de dirigismo desportivo pode trazer consequências muito negativas.
Estas questões suscitam uma abordagem sob dois planos: por um lado, sob o ponto de vista jurídico, por outro sob o ponto de vista moral e ético.
As respostas a estas questões podem ser encontradas em diversos diplomas da jurisprudência que demonstram que algumas matérias de índole desportiva onde estão autarcas/dirigentes desportivos, podem eventualmente originar incompatibilidades ou impedimentos.
É todavia nos planos moral e ético que existem motivos para condenar e repudiar o desempenho desses cargos.
É possível separar a actuação de autarca desenvolvida durante o dia, da de dirigente desportivo levada a cabo após o normal horário de trabalho ou em regime de fim de semana?
Não poderão ser distribuídos mais alguns euros e benesses ao seu clube, criando desse modo boas oportunidades para granjear mais apoios?
Como tentativa de justificação, já todos ouvimos dizer que o clube de futebol é a entidade que melhor promove a cidade.
Diremos apenas que se a finalidade é a divulgação e a promoção da cidade, então os objectivos não são desportivos.
Trata-se isso sim de obectivos relacionados com o Turismo.
Por outro lado não dispomos de estudos que demonstrem que o clube de futebol numa divisão de topo, promove o desenvolvimento do comércio ou do turismo no concelho.
Seria bom que para um funcionamento mais transparente da Câmara Municipal de Penafiel os seus responáveis evitassem pertencer a clubes desportivos.
Só ficaria bem que fosse assumido que uma coisa são as responsabilidades que dizem respeito à política municipal e outra coisa a que respeita ao associativismo desportivo.
Não deveriam servir-se do desporto para encapotar outras políticas que nada têm a ver com o desenvolvimento do Desporto.
Às claras, ou de modo camuflado, ano a ano são desviados para sustentação do desporto profissional, centenas de milhares de euros.
A gravidade desta situação, não está apenas na sua dimensão.
Ela tem vindo a ser realizada no mais despudorado desafio às leis existentes que proibem o financiamento público às práticas do desporto profissional.
Todos conhecemos situações onde se gastaram dezenas de milhares de euros para sustentar as equipas profissionais que anualmente têm desenvolvido a sua actividade desportiva.
Já todos conhecemos situações em que os responsáveis, com o dinheiro dos cidadãos e com os escassos recursos que dizem possuir, os gastaram a organizar viagens para Lisboa e outros locais do País em apoio à equipa de futebol numa tentativa de passar a ideia de que estão com o Desporto!
É chocante saber que ao longo de muitos anos, meios financeiros, bens, serviços e património que deveriam servir para o desenvolvimento, têm sido desviados para suportar o falido mercado profissional de futebol.
É errado apoiar decididamente o Clube de Futebol mais representativo do concelho?
Pensamos que não, porque certamente é um segmento fundamental da prática desportiva de média ou alta competição.
O erro consiste no facto de o apoio não ser sujeito a critérios e serem sempre desintegrados de uma política global de apoio a todo o associativismo desportivo e onde naturalmente, face aos meios de que dispõem, seria necessário enunciar objectivos, prioridades e metas de desenvolvimento.
Mas que investimentos são efectuados com as verbas do Pelouro do Desporto?
O que sabemos todavia é que grande parte dessas verbas são oferecidas a clubes com prática desportiva profissional, nomeadament ao Futebol Clube de Penafiel, o que é ilegal, como se pode constatar da leitura do Decreto-Lei nº 493 de 6 de Novembro de 1991, que diz no seu artigo 3º: “ Não pode igualmente ser objecto de comparticipação ou patrocínios financeiros, revista a forma que revestir, o desporto profissional, salvo no tocante à organização de competições desportivas de manifesto interesse público ou à realização de projectos de contrução ou melhoramento de infra-estruturas ou equipamentos desportivos”.

Esta é uma situação de contornos preocupantes,

cuja verdadeira dimensão não está ainda suficientemente avaliada.

sinto-me:
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