Sábado, 14 de Julho de 2007

In Memoriam...

lutoluto                  António Justino C. Luís do Fundo

O desaparecimento de António Justino do Fundo é um facto triste, em relação ao qual não podemos deixar de experimentar um sentimento de injustiça.
Sem dúvida, porque não pode aceitar-se a derrota de quem acreditava que havia uma só vida mas várias maneiras de a viver, em contraposição aos que defendem uma única maneira de viver para as diversas vidas.
Mas também porque estamos perante uma vida e obra inacabada, neste caso não se revelando tão importante o reconhecimento de que um homem de 74 anos teria ainda para viver quanto as perpectivas de aperfeiçoamento que parecia oferecer para o futuro.
A perspectiva de António Justino do Fundo compreende-se melhor se não esquecermos que foi por sua iniciativa que, se ergueram as Piscinas Municipais de Penafiel, o Pavilhão Gimnodesportivo “Fernanda Ribeiro”, o Estádio Municipal “25 de Abril” e outros pequenos equipamentos destinados à prática do desporto.
Aqueles que como nós, com ele conviveram e trabalharam, lembram a serenidade e entrega a um plano consistente e harmonioso: por um lado delimitando a organização do espaço e a problematização dos equipamentos desportivos; por outro, situando a questão no contexto alargado de um concelho pobre e pouco desenvolvido desportivamente.
A perspectiva em que se integrava estava de acordo com a sua maneira própria de ser e, felizmente, com a recusa da ideia de limites necessários para a prática desportiva e a adesão à ideia de que os espaços se distinguem na medida em que permitem a adaptação dos cidadãos a possibilidades.
Na verdade, o projecto de desenvolvimento do desporto na Câmara Municipal de Penafiel constituiu um exemplo não só da capacidade de mobilização de António Justino do Fundo mas, também, da noção que possuía da globalidade da vida humana, a prova de que não era um ser contemplativo mas, antes, alguém que perseguia a unidade da retórica e da acção.
António Justino do Fundo desapareceu sem ter finalizado a sua obra, em grande parte porque, generoso, deu mais aos outros do que a si próprio. O que ele nos deixa não são teorias, mas principalmente a essência da vida, esse calor humano que não tem mestre!
Um homem amável, a quem agora restituo as palavras que em tempos me dirigiu:

Tudo mudou e tudo mudará,

mas será sempre necessário

perceber a linguagem da realidade e a da imaginação,

o possível e a esperança,

ver claro por fora, reflectir, exprimir-se,

agir e ser feliz...


 

sinto-me:
publicado por PenaSport às 15:00
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